A Vida Que Pedi, Adeus
Ter, 30 de Junho de 2009 01:42
Nanda Rovere

Vera, Ailton e Paulo Américo Sergio Roveri escreveu uma comédia para falar da exploração de crianças e conseguiu criar um texto interessante e que mescla, com competência, comédia e reflexão. O casal, Armando (Ailton Graça) e Eurides (Vera Mancini), tentando contornar a situação financeira precária, abre uma empresa para gerenciar trabalhadores nos faróis. Tudo dá errado para eles, que fazem parte de uma classe média decaída. Apesar de possuírem tino comercial, levam rasteira o tempo todo. Não perdem, no entanto, a esperança e estão sempre unidos. São dois personagens brasileiros criativos e bem humorados. Não vêem o trabalho que realizam como anti-ético, porque estão lutando pela sobrevivência. Falam, por exemplo, das crianças de seis anos, ou até mais novas, que trabalham para eles e para os concorrentes, com uma naturalidade incrível. Para que a peça não seja somente um meio de diversão, a personagem de Antoniela Canto (Mariana) representa o olhar da classe média sobre a atividade desenvolvida pelo casal. Critica a exploração dos menores. Talvez o incômodo de ser abordada nos sinais a indigne mais do que a realidade injusta do trabalho infantil... Garcéz (interpretado por Paulo Américo) é contratado para cuspir fogo e, ao dar um golpe no casal, serve de termômetro para o público perceber que há uma certa ingenuidade nas ações de Armando e Eurides. Como a peça estreou há pouco tempo, analisar criteriosamente a montagem é cercear a liberdade dos atores de aprimorarem os seus trabalhos durante a temporada. Alguns ajustes, como dinamizar algumas cenas e achar o tom certo para alguns diálogos ainda são necessários, mas os atores conseguem cativar o espectador. Vera Mancini está magnífica como Eurides, pois domina a comédia e as cenas mais densas. É uma atriz de larga experiência e a sua escalação para a peça foi acertada. Estabelece com Ailton Graça uma boa química. Ailton Graça, por sua vez, consegue divertir o público. Dois excelentes atores. Vale a pena prestigiá-los. Antoniela Canto e Paulo Américo, com personagens pequenos, cumprem bem as suas funções em cena. Para ajudar os atores na linguagem própria das ruas, a equipe teve a ajuda de João Batista, que prestou assessoria quanto ao vocabulário utilizado nos diálogos. Uma ajuda valiosa, que contribuiu para que os atores estejam à vontade interpretando tipos populares. É a estréia de Eliane Caffé (premiada pelos filmes Kenoma e Narradores de Javé) na direção de teatro e a artista demonstrou um bom domínio da linguagem teatral. Segundo a diretora, a experiência marcou a sua trajetória profissional e a ajuda dos atores e da produção foi valiosa. O cenário e o figurino salientam o caráter popular da encenação e a situação financeira precária do casal. A trilha de A Vida Que Pedi, Adeus é formada por texturas superpostas de sons captados nas esquinas de avenidas por Theo Werneck. O músico, também estreante no teatro, conseguiu, com a sua criação, ambientar com perfeição o público no universo das ruas das grandes cidades. Mais uma vez, Sergio Roveri captou nuances do nosso cotidiano e transformou histórias de pessoas comuns em um texto inteligente. Uma obra contemporânea e que retrata a vida de pessoas que, à sua maneira, tentam driblar a crise. A cada dia, mais vendedores e malabaristas ocupam as ruas das metrópoles e mesmo das cidades de pequeno e médio porte. Serviço: A Vida Que Pedi, Adeus Figurinos de Cris Camargo. Cenografia de Vera Hambúrger. Iluminação de Wagner Freire. Realização da Mesa 2 Produções.Teatro Cosipa Cultura – Avenida do Café, 277. Estação Metrô Conceição. Sextas-feiras, 21h30. Sábados às 21h e domingos às 19h. Ingressos: sextas e domingos (R$ 40,00). Sábados (R$ 50,00). Sobre Sérgio Roveri http://dramaturgos.multiply.com/photos/album/53 Sobre Vera Mancini ondeanda.multiply.com/photos/album/1399 Texto elaborado também para www.nossadica.com.br
Última atualização ( Ter, 30 de Junho de 2009 01:45 )
Dores de Amores
Seg, 29 de Junho de 2009 21:29
Nanda Rovere

Dores de Amores já foi encenada por Malu Mader e Taumaturgo Ferreira, em 1089, e agora volta aos palcos com Melissa Vettore e Otávio Martins. O texto, de Leo Lama, é uma comédia que apresenta a relação de um casal moderno, discutindo os papéis homem-mulher e a "crise do macho".Fechados entre quatro paredes, eles se preparam para enfrentar a sua própria intimidade. Mas naquela noite algo inusitado está prestes a acontecer: uma divertidíssima inversão de papéis. A situação explode em uma discussão sobre sexo, fantasia, fidelidade, traição, psicologia barata, afeto, desejo e casamento. De repente, surge o inesperado: o gesto de amor. Dores de Amores - que rendeu os prêmios Molière e APCA de Melhor Texto - tinha no elenco Malu Mader e Taumaturgo Ferreira. A peça ficou cinco anos em cartaz em Capitais do Brasil e na Argentina, levando ao teatro um público estimado de um milhão de pessoas. "Tenho vivido muito dessa peça", brinca o autor, comentando que vende os direitos de montagem da obra quase todo ano. "Ela ficou muito conhecida. A facilidade da produção, que envolve apenas dois atores, e a temática animam os produtores", diz Leo. A direção é de Naum Alves de Souza, um dos diretores mais importantes da história do nosso teatro. A direção de Naum aproxima o texto do momento presente das relações de hoje, ela marca uma era moderna, que coloca fim a muitos papéis até então concedidos ao homem e à mulher. “Os personagens não tem nome até hoje, são Ele e Ela, e estão num momento de crise contemporânea. Ou eles se identificam mimeticamente com os outros, ou eles não são ninguém. A direção é realista, acentuando um pouco o que existe de cômico”, detalha Naum. No palco, os atores/produtores Otávio Martins e Melissa Vettore, que possuem larga experiência no teatro e formam também um casal no seriado Mothern, no GNT. Confira o trabalho de Melissa Vettore e Otávio Martins, como Luíza e Léo, no seriado Mothern: www.youtube.com/watch?v=IStRO-LCXE8 Serviço: Dores de Amores - Estreia dia 9 de julho, quinta às 21 horas, no Teatro Shopping Frei Caneca. Temporada: Quintas e sextas às 21 horas, até 31 de Julho. A partir de 04 a 26 de Agosto, em cartaz às terças e quartas às 21 horas. Stand In: Priscilla Carvalho. Iluminação: Wagner Freire. Assistente de Direção, Cenário e Figurino: Marcello Jordan. Fotografia: Alexandre Catan. Direção de Produção: Ed Júlio. Ingressos: Quinta-feira a R$ 50,00 e sexta-feira a R$ 60,00 inteira. TEATRO SHOPPING FREI CANECA - Shopping Frei Caneca, 6º andar – Rua Frei Caneca, 569 Consolação. Telefones: 3472-2229 / 3472-2230.
Última atualização ( Ter, 30 de Junho de 2009 00:51 )
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Cândida e Senhora dos Afogados no Teatro Sérgio Cardoso
Ter, 30 de Junho de 2009 01:03
Nanda Rovere

Cândida - Amor, casamento e identidade masculina são os temas centrais dessa comédia, do dramaturgo irlandês Bernard Shaw, encenada pelo Núcleo Experimental com a atriz convidada Bia Seidl no papel-título. Texto - Bernard Shaw. Tradução e Direção - Zé Henrique de Paula. Elenco - Bia Seidl (Cândida) e Patrícia Pichamone (stand-in), Fernanda Maia (Prosérpina), João Bourbonnais (Burgess), Sergio Mastropasqua (Morell), Thiago Carreira (Marchbanks) e Thiago Ledier (Lexy Mill). Assistente de Direção - Fabrício Pietro. Direção Musical e Trilha Original - Fernanda Maia. Preparação de Atores - Inês Aranha. Produção - Firma de Teatro. Cenografia e Figurinos - Zé Henrique de Paula. Confecção de figurinos - Ci Teixeira e Karin Ogazon. Iluminação - Fran Barros. Senhora dos Afogados - Adaptação do romance rodrigueano para um musical, reúne um repertório de canções brasileiras que vão de Chico Buarque a Djavan. A história é contada sob o prisma das paixões humanas. Mitos gregos, o expressionismo do pintor Edvard Munch, além da obra Electra Enlutada, do dramaturgo americano Eugene O'Neill, mesclam-se na pesquisa do diretor. Texto – Nelson Rodrigues. Direção: Zé Henrique de Paula. Direção Musical – Fernanda Maia. Elenco – Elenco: Tony Giusti (Misael), Einat Falbel (D. Eduarda), Bárbara Bonnie (Moema), Daniel Tavares (Paulo), Marcelo Góes (Noivo), Lourdes Giglioti (Avó), Ricardo Venturin (Sabiá), Elber Marques (Vendedor de Pentes). Vizinhos: Alexandra da Matta, Fernando Cordeiro, João Buonno e Paulo Bueno. Mulheres do Cais: Fabiana Vieira, Juliana Cavalheiro, Gabriela Germano, Jéssica Ferraz, Maíra Gomes, Natasha Sonna e Patrícia Castilho. Músicos – Fernando Castro (piano) e Luciana Rosa (violoncelo). Preparação de Atores – Inês Aranha. Assistente de Direção – Fabrício Pietro. Cenografia e Figurinos – Zé Henrique de Paula. Iluminação – Fran Barros. Adereços – Fernando Leite. Teatro Sérgio Cardoso - Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, tel. 11 3288-0136. Ingressos - R$ 20,00 (meia-entrada para estudantes). Temporada – sextas às 21h30, sábados às 21 horas e domingos às 19 horas. Até 2 de agosto
Última atualização ( Ter, 30 de Junho de 2009 01:05 )
Dueto da Solidão
Qua, 24 de Junho de 2009 19:51
Nanda Rovere

A Noite do Aquário A peça Ensaio para um Adeus Inesperado é formada por dois pequenos monólogos, em que mãe (Clara Carvalho) e filho (Leonardo Miggiorin) expõem os seus sentimentos. A mãe relata o desespero da perda de seu filho, que se suicidou, e como recuperou a vontade de viver depois do nascimento de seu primeiro neto. O filho, por sua vez, relembra momentos de sua infância e fatos de sua vida, mas não expõe o motivo que o levou ao suicídio. Em A Noite do Aquário, mãe (novamente Clara Carvalho) e filho (Chico Carvalho) moram sozinhos numa das poucas casas que restaram num lugarejo à beira-mar. O fechamento iminente do porto causou a emigração da maioria dos moradores. Preocupado com essa situação, o filho mais velho (Gustavo Haddad) volta a sua terra natal para levar o seu irmão Pedro e sua mãe para a cidade grande. Com a sua chegada, feridas da família são reabertas e ocasionam um final trágico. A Noite do Aquário foi escrita para o projeto E se Fez a Praça Roosevelt em Sete Dias e viajou pelo interior de São Paulo pela Viagem Teatral do SESI. Gustavo Haddad e Clara Carvalho se juntaram a Chico Carvalho, que está na peça desde a estréia, e a energia entre os três é excelente. A direção de Sérgio Ferrara foi centrada na lapidação da interpretação do elenco. Os diálogos são sofridos e cada palavra dita nos faz embarcar nessas histórias com uma forte – e tocante - carga dramática. Há poucos objetos em cena. O palco é preenchido pelo enorme talento dos atores. Todos dão um show. Roveri é um dos grandes nomes da dramaturgia contemporânea e uma de suas qualidades é suscitar reflexões e emoções através de situações cotidianas. Assina mais dois textos, que primam pela maestria em retratar a vida de pessoas comuns, as suas alegrias, tristezas e luta por um cotidiano mais digno. Comovente e imperdível!Obs: Espetáculos encenados na sequência, sem intervalo. Ficha técnica:Direção: Sérgio Ferrara Com: Clara Carvalho, Chico Carvalho, Gustavo Haddad e Leonardo MiggiorinTexto: Sérgio Roveri Serviço: Sesc Vila Mariana AuditórioR. Pelotas, 141 - Vila Mariana - Sul. Tel: 11 5080-3000.Ingresso: R$ 3 a R$ 12. Quartas: 20h30.Texto elaborado também para www.nossadica.com.br
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